Sunday, December 08, 2013

Alma

A nossa vida. Fico sonhando com a nossa vida. Pensando, torcendo, ansiando, antevendo, até já quase lembrando dela. Como se fosse algo acontecido, consolidado, passado. Presente. Tanto que eu já lembro. Mas não como uma lembrança distante. Uma lembrança diária, constante, de "bom dia, quer café?".

Fico imaginando a nossa casa, o nosso teto, as nossas quatro paredes que vão abrigar e acolher o maior amor que já senti na vida. A nossa casinha de sapê. Onde nem tudo serão sempre flores - é a vida, eu sei -, mas onde a gente vai poder ficar junto e viver junto e se amar junto. Ter o nosso cachorro, as nossas plantas, os nossos filhos. Resolver problemas mundanos e também complexos, fazer planos, se desentender de vez em quando e depois fazer as pazes. Onde a gente vai poder dividir a cama e o travesseiro e cada manhã. E onde vamos comer e conversar todos os dias, bem juntinhos. E onde a gente vai se abraçar e se beijar a cada noite.

Ah, como eu sonho com os seus beijos... sejam beijos de namorado, beijos de marido, beijos de amigo, beijos de companheiro, beijos de parceiro, os seus beijos sempre vêm me visitar e vão sempre habitar as minhas noites.

Sabe o que é, sabe? Eu nunca conheci ninguém como você. Nunca senti por ninguém o que sinto por você. Nunca foi tão bom ficar com ninguém como é com você. "A gente vai ser muito feliz, não é?", você me pergunta. Sim, vai, eu sei que vai. A gente vai ser feliz de transbordar, de não caber. Eu *sinto* que vai. E eu mal posso esperar...

"Coisa de alma com alma nada nessa vida desfaz."

Friday, October 18, 2013

Saudade

Com a casa vazia, com o tempo e a paz que eu tanto queria, e sentindo saudade. Uma saudade imensa... do barulho, do caos, da correria, de todas as vozes ecoando nos meus ouvidos sem me deixar pensar. Eu não queria pensar agora.

É engraçado como a gente só sente falta da presença quando consegue, enfim, sentir a ausência. Sentir a ausência mesmo, na pele, nos olhos. No espaço. Tenho vontade de chorar. Tenho vontade de abraçar. Tenho vontade de comer, engolir e me fartar da doçura que é estar rodeada das pessoas que amo.

Hoje, pela primeira vez, senti ciúmes de você. Queria saber como você está, como foi a sua vida até aqui, como você se sente. De verdade. Saber eu sei, claro. Mas queria ter certeza, como tenho certeza do que sinto. Certeza de que você gosta de mim e me quer na sua vida tanto quanto eu te quero na minha. Pra sempre. Ou até quando der. E até quando não der mais também. Certeza de que não vou te largar nunca, nem por morte ou por decreto, nem se você me largar. Certeza de que te amo e de que, se um dia a gente se separar, eu vou sofrer feito uma condenada, mas ainda assim não vou te largar. Pior do que uma condenada. Pior do que um corredor da morte! Eu vou sangrar, eu sei que vou sangrar como nunca antes na vida. Vai me doer bem lá no fundo, onde fica a esperança. No meio da avenida principal do coração, entre a fé e o amor. Na esquina com a doçura. No centro da cidade mesmo, na praça, na padaria, na igreja, na sorveteria, no cinema... no meu bairro. Na minha casa, na minha identidade. Em mim. Entende?

Ah, a certeza...

Essa certeza que nunca vem e que nunca virá, porque nada nunca está garantido pra ninguém e a vida é um eterno carrossel, uma montanha-russa, uma roda gigante, um redemoinho que não para de girar e que carrega a gente pra dentro e mistura tudo, a gente querendo ou não. Um dia se está nas nuvens, no outro, nos porões do inferno.

Ah, a certeza...

A certeza de que eu vou ser pra sempre sua.

Wednesday, October 09, 2013

Diferente

Muito tempo depois, cá estou eu. De volta. A mesma, ou não. Melhor, ah sim, bem melhor. Você me faz ser melhor. Você me faz querer ser melhor, querer ser uma pessoa boa. Pra te merecer.

Sempre ouvi dizer que o verdadeiro amor acalma o coração, aquieta a alma, diminui as nossas aflições e os nossos medos, traz paz pra gente. Mas sempre desconfiei disso. Desconfiei porque nunca tinha acontecido comigo antes. Acontecido de verdade, eu digo. Porque desde sempre, desde que eu me conheço por gente, eu sofro com isso. Sou canceriana, sofredora, rancorosa e... ansiosa. E, às vezes, insegura também. Nunca soube bem como demonstrar os meus afetos por alguém quando me apaixonava - ou achava que me apaixonava. Sempre queria falar logo pra pessoa que tava apaixonada, que queria ficar junto, enfim. E a razão e os amigos queridos sempre buzinavam na minha orelha: não fala isso ainda não, espera pra ver qual é a dele primeiro, pra ver se vale a pena mesmo. E eu, lógico, não ouvia. E ia lá e falava e demonstrava e movia mundos e fundos pela paixonite e... me arrebentava, claro.

Mas com você foi diferente. Tudo é diferente com você. Eu sei que te assustei quando te disse, do nada, de surpresa, no meio da noite, que estava muito apaixonada por você. Você fez a mesma cara dos outros caras. Mas você não agiu como eles. Você não sumiu, não foi embora. Você quis ficar. Você aceitou as minhas bobagens e a minha loucura e ficou. Você quis me conhecer mais e mais, você quis passar mais e mais tempo junto comigo. Apesar disso. Você me diz coisas como "eu realmente acho que você é a pessoa pra mim". Acho que, assim como pra mim, talvez tudo isso também esteja sendo, pra você, algo novo. Diferente.

Não estou 'só' apaixonada não. Eu te amo, Leonardo. Só que eu amo você de um jeito tão grande, tão inédito e novo pra mim, que nem consigo dizer, traduzir, expressar em palavras... ainda. Mas, ah, pode deixar, eu vou dizer. Pra você, eu *quero* dizer. Eu acho que encontrei o amor da minha vida...

"Eu quero a sorte de um amor tranquilo."
[Cazuza]

Thursday, June 13, 2013

Árida selva

Estou triste. De vez em quando me bate uma tristeza, um vazio. Tristeza sem fim, sem fundo, sem tamanho, tanto que o peito fica pequeno pra tanta dor. Transbordo no chuveiro, inundo o banheiro. Meus cabelos escorrem em meus ombros, tão pesados. Derreto. A umidade abre todos os meus poros e coloca tudo pra fora. Todas as emoções - mais ainda - à flor da pele.

Saio. Estou seca. Emudeço de secura.

Por que é que a vida tem que ser tão dura? As pessoas tão ásperas? Esse mundo tão hostil?

Choro pelas pessoas, choro pelas crianças, choro pelo amor, choro pela violência, choro pelo contato, choro pela leveza, choro pelo enfrentamento, choro pelo toque, choro pela repressão sem razão, choro pela doçura que cotidianamente nos falta. Choro pelas distâncias. Choro pelos calores. Choro pelo sol escondido atrás das nuvens. De vergonha. Choro por quem apanha e mais ainda por quem bate. Choro pelas flores pisoteadas no asfalto. Choro pelas consciências. Choro pelos corpos machucados. Choro pelas rajadas de ar impregnado de suor e esforço. Choro pelas faíscas. Choro pela sujeira. Choro pela boa vontade. Choro por uma conversa. Choro pelos tênis surrados dos jovens. Choro pelos corações, tão maltratados. Choro pela marcha necessária. Choro pelo cansaço, pela gota d'água. Choro pela presença e pelas ausências. Ah, são tantas! Choro pelo excesso e pela falta. Por tudo. E pelo nada.

Morro um pouco. Renasço amanhã.

Júpiter

Estou grávida de uma revolução.

O amor é uma manifestação de rua

Às vezes não sei o que pensar. Não sei o que pensar de nós, da vida, desse mundo louco em que a gente vive... sei que estou apaixonada por você, sei que estou. Mas às vezes me dá um não-sei-quê de dúvida, de medo, de angústia. O amor é isso mesmo, vocês me dirão. O amor é justamente esse medo de perder o outro, essa incerteza quase que constante, essa efemeridade de tudo e de todos. Tudo bem. Mas, cara, mesmo assim, mesmo assim ainda não acho que é... normal.

Não me entenda mal, você tem listas e listas de qualidades que eu admiro, muitos e muitos prós. Mas também tem os contras. E, ah, que contras!

Pra começar, você me dá medo. Muito medo. Ao mesmo tempo em que é amoroso e passional, você consegue ser especialmente cínico quando quer. E não é um cinismo pueril, amador, qualquer... é um cinismo digno de aula. De mestrado!

Além do mais, você diz que é tímido. Faz teatro e é tímido, sei. E não consegue pôr pra fora os sentimentos em palavras, em gestos, sei lá. Você consegue, que eu sei, você consegue muito bem. Quando quer, você me quebra com uma palavra.

Depois, você tem uma cabeça-durice que também me assusta. Chega quase à chatice, mesmo à burrice, à beira do abismo, no fim do precipício, atrevidamente nas pontas dos pés.

Pra completar, você é louco. Um louco completo e varrido e incurável. E adorável. Muitas vezes, nem consigo entender a sua loucura, compreendê-la pelo menos, à parte a minha ignorância. Você me dá um nó, sério.

E, com tudo isso, eu ainda vivo me declarando pra você...

"Para o amor, um banco de praça já basta.
Ou ficar na frente de um portão.
Ou uma xícara de café.
Amor mesmo é um filme de baixo orçamento."

[Fabrício Carpinejar]

Wednesday, June 05, 2013

Declarado e estampado.

"Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."
['Poeminha Amoroso', Cora Coralina]

Friday, May 31, 2013

A bipolaridade é um fenômeno...

O dia.

(...)

O dia em que eu fui do inferno ao céu mais rápido que um míssil teleguiado, que uma flecha vertical, que um foguete com destino às estrelas, que uma gravidade invertida.

Eu estava surtando. Femininamente, surtando... imaginando de tudo, mil dores e horrores, o fio de cabelo no paletó, a gota d'água, o deslize fatal, que você estava bravo comigo, que tinha motivos para estar bravo comigo, que estava tudo acabado entre nós, enfim. Já estava até preocupada porque tava com um aperto no peito mas - ainda - não tava com vontade de chorar, o que geralmente significa sem sombra de dúvida que o buraco é mais embaixo. Que, quando a dor vier, vai ser uma enxurrada e não vai haver barragem que segure.

Assim estava eu, patética.

Até que... até que, como algo divino - "uma parada divina mesmo", você disse -, uma mudança de dados, uma troca de palavras, simples, mudou tudo. David Lynch. Ou manteve tudo como estava antes. David Lynch. Ou melhor, melhorou ainda mais o que já era impossível de melhorar. David Lynch.

Numa singeleza sem tamanho, numa simplicidade tão bonita da qual só você é capaz, você me vira e me torce e me harmoniza e me amolda ao seu bel-prazer. Eu te conto uma banalidade - David Lynch - qualquer. Do nada, você me pergunta se me pede em casamento agora ou se espera até comprar as alianças. Sim, você me pediu em casamento antes mesmo de me pedir em namoro. Ao que eu respondo qualquer coisa assim besta pra disfarçar, pra dar a entender que percebi que você estava só brincando, só falando por falar. Não satisfeito, você me diz que é "sério mesmo", que - David Lynch - é coisa séria pra você e pra eu não brincar com o seu coração. E aí eu caio, hopelessly e naturalmente, na sua armadilha e começo a te contar das vezes que eu mais gostei, das sensações e das coisas que eu senti, dos frios na barriga, da felicidade que é estar com você e ter você na minha vida... e vem você e me quebra com um "foi quando senti que você e eu não seria algo passageiro". Dizendo que o meu olhar te pegou de jeito aquele dia na lanchonete, enquanto que o seu me capturou um pouco antes, na sua peça, quando você estava olhando pra plateia. E lá ficamos os dois bobos, um querendo olhar pro outro, sem que o outro soubesse, tendo que disfarçar. Confusos. Você já desencanando de mim e eu sem esperar mais nada. Voltando pra casa pensando no que impulsivamente devíamos ter feito antes de ir. Dois bocós.

É o que nós somos, dois bocós.

Tuesday, May 28, 2013

Um amor & um doce

Eu comecei a te respeitar por você ter tolerado - quase - pacientemente todas as minhas desculpas e furadas e charmes e patadas e afins até finalmente aceitar sair com você.

Eu desconfiei das suas intenções quando você topou assistir "Assassinos por Natureza" num primeiro encontro. E em todas as vezes que você acidentalmente encostou a sua mão no meu braço no cinema.

Eu te esconjurei quando você fez aquele comentário sobre "já ter arranjado outra companhia para programas no centro até lá" antes de eu ir viajar. Mas me derreti quando você escreveu "olha quem voltou" com um coraçãozinho quando viu que eu tava de volta.

Eu achei que você pudesse estar interessado em mim quando você me mandou aquela mensagem durante aquele show sublime dizendo que você tava curtindo o som de boa do lado de fora.

Eu fiquei frustrada no dia em que você me pediu pra te avisar se eu fosse mesmo no cinema e, quando eu decidi te ligar, você disse que tava ensaiando pra sua peça e que não poderia ir.

Eu senti um arrepio na espinha e um puta frio na barriga quando você me olhou daquele jeito no meio da apresentação da peça. E quando você me perguntou, depois do espetáculo, se eu tinha visto a sua mensagem e se eu ia sair de novo com você. Eu disse que gostava de sentir vontade e de decidir as coisas na hora e você disse que eu precisava "programar um pouco a minha desprogramada vida"...

Eu achei que você ia dar em cima de mim quando a gente parou em frente àquela farmácia antes de atravessar a rua. Quando você, depois de sequer encostar em mim no cinema durante o filme inteiro, primeiro falou uma grosseria qualquer pra depois ser delicado comigo. Um elogio tão discreto e sutil não podia passar assim impune, né. Nem aquele agarrão em frente à entrada do metrô... você me assustou demais naquele dia kamikaze. Quando você disse que não era mais adolescente pra ficar dando pega no cinema. Quando você disse que ainda tínhamos "muitos assuntos a tratar" e eu não perdi a oportunidade de, infamemente, te chamar de tratante.

Eu soube que ia me interessar por você no dia daquele jogo de futebol. "A questão do tempo again between us". "Eu acho da hora de vez em quando se misturar com a massa, sabe?" Quando você deu atenção pros seus amigos e me deixou sentar sozinha no ônibus mas ficou me observando de longe por entre os bancos. Quando você me viu andando no meio dos marmanjos e colocou a mão no meu ombro e disse "calma, esse lugar aqui é perigoso". Quando você ficou me apertando inteira como que tentando se aproximar e ensaiando uma massagem no intervalo do jogo. Quando te vi emocionado com uma vitória improvável, inesperada, quase impossível. "Esse é um homem sentimental", pensei. Quando a gente foi embora juntos, de mãos dadas no meio da multidão. E quando a gente pegou aquele ônibus lotado e quente e abafado pra voltar e se divertiu mesmo assim.

Eu imaginei que ia gostar de você quando a gente teve uma sessão de cinema perfeita, daquelas bem pueris, bem de adolescente mesmo. O dia do sanduíche, bem comum, em que eu, desastrada, derramei refrigerante em mim mesma. Quando eu te contei depois que tinha ficado contente no dia seguinte e você me disse que tinha sonhado comigo. E aí, quando eu te perguntei do sonho, você ficou tentando me contar de um jeito light e politicamente correto... que "estávamos caminhando pela cidade por uma região com uma arquitetura bem antiga" - essa parte nitidamente para me agradar - e que você "morava no apartamento na Barra Funda e íamos até lá". E quando eu te disse que tinha gostado do sonho e te pedi pra você me emprestar.

Eu sabia que não tinha mais volta quando você me disse, antes de um programa cultural, "prepare-se pra se apaixonar pelas antiguidades que tem lá". Quando a gente viu aquele filme de graça e você ganhou aquele livro do David Lynch e ficou todo feliz. Quando você ficou segurando a minha mão quase que o filme inteiro. Quando a gente passeou por entre as salas e os móveis antigos da exposição e você disse que a sua casa, um dia, teria que ser assim. Quando a gente desceu de elevador do cinema e viu um pedacinho daquele show de samba do Nelson Sargento no saguão. E quando você me abraçou e pôs as mãos na minha cintura e me tirou pra dançar bem devagarzinho.

Eu tive certeza quando você disse "arte é a única coisa que faz sentido pra mim" e eu te disse que essa era uma das coisas que eu mais admirava e gostava em você. E você disse que eu era a advogada mais bonita que você conhecia e eu te chamei de bobo. Quando eu disse que a Monica Geller em mim ainda vivia e você disse que eu tava mais pra uma mistura de Phoebe e Rachel, por causa do lado bocó da Phoebe e do lado meigo da Rachel. Magali e Cebolinha? Magali e Chico Bento!

Eu me deixei levar de vez naquele dia do Teatro Municipal, quando o cara desconhecido te confundiu com o Dave Grohl e me chamou de "sua senhora". No dia em que a gente assistiu aquele jogo num boteco e você imitou o Silvio Santos pra mim e eu te mostrei o prédio em que eu gostaria de morar um dia ao lado do teatro. No dia em que eu te disse "hoje te espero em qualquer lugar, a qualquer hora, mas só hoje" e você de fato me fez esperar muito, demais mesmo! No dia em que você marcou o nosso encontro em Moscou às 19h17, horário de Brasília. Quando você conseguiu o emprego novo. No dia em que eu te liguei no ônibus de noite e fui a primeira a te desejar feliz aniversário. Quando eu te disse que o seu presente só chegava na próxima semana. Quando você me disse que eu era uma mulher muito especial.

Eu fiquei com muita raiva de você naquele dia em que, ao mesmo tempo, você me arrebatou com tudo com um beijo de cinema no meio da pista de dança e depois passou mal e me fez ficar cuidando de você a balada inteira. Porque eu, menina boba, fiquei tão preocupada com você, homem feito. Você, que não parava de ficar falando o meu nome over and over and over - pelo menos você não tinha esquecido - e de ficar me perguntando se eu tava bem e se eu não tava chorando...

Eu sabia que tava completamente perdida quando, depois de chorar todas as minhas pitangas, de te xingar de tudo quanto era nome o final de semana inteiro e de jurar nunca mais te ver, me vi te agradecendo e mandando um pedido de desculpas antes mesmo do seu. E inescapavelmente te perdoando aos primeiros "preciso muito te ver essa semana", "dessa vez prometo não atrasar", "sexta sem falta eu quero você", "eu sei o que farei contigo" e ao primeiro e singelo "oi". "You had me at 'hello'", lembra desse filme? Então. Foi igualzinho, exatamente assim. "Silvio Santos: olha só, você fez uma piada sem graça... Lombardi, quanto vale o show?".

Eu soube que não tinha mais jeito quando você me mandou aquela mensagem só pra saber se eu tinha acordado menos carente e pra me convidar pra assistir um show com você. E eu respondi que esse tinha sido o convite mais bonito que eu já tinha recebido e você disse que já tinha começado o seu dia contente.

".....................................................................
Att,
Diabo da Fonseca."

".....................................................................
Att,
Sua fã."

Eu me apaixonei por você naquela esquina. Naqueles grafites, naquele frio, naqueles escritos, naqueles abraços... naquele filme fofinho. No dia em que eu te disse que você tava "especialmente bonito" e você me disse que eu tinha mau gosto. Quando você imitou o Silvio no meio da rua e disse que eu era uma moça muito bonita e me perguntou se eu tinha namorado e se era "namoro ou amizade". Quando você me olhou no meio do filme no cinema e viu os meus olhos cheios d'água no escuro e me abraçou. No dia em que as suas mãos estavam mais macias e mais quentes do que nunca e os seus beijos mais irresistíveis do que sempre.

E você diz que soube quando me disse "você é um amor" e eu respondi "e você é um doce".

Monday, May 27, 2013

Máquina

E de repente a vida entrou num compasso de engrenagem. O tempo. As rodas girando e girando e girando... numa velocidade assustadora. E eu, sem conseguir parar, vou seguindo em frente. As areias do tempo. Bom, nesse passo, might as well seguir em frente mesmo. Sem tempo para parar, sem tempo para pensar, sem tempo para me organizar, sem tempo para arrumar nada - quem dirá as emoções -, sem tempo para escrever.

Sem tempo.

Acho que tô cada vez mais parecida com um daqueles ratinhos de laboratório, sabe? A corrida dos ratos. Que são colocados naquelas rodas gigantes para correr sem parar, ao mesmo tempo com um fiapo de esperança e numa falta de alento sem fim.

Monday, May 20, 2013

Elena

Esse filme desabou uma cachoeira em mim. Faz quase um ano, eu sei. Mas me deu uma vontade de escrever, de botar pra fora, de chorar, de ler, de ouvir, de andar, de olhar, de sofrer e de sentir tudo tanto de novo...

Os meus olhos tristes no metrô. Sinto os olhares em cima deles. Olhares curiosos, espantados, penosos, não sei... mas sinto. As lágrimas teimando em cair. Eu olho pras luzes dos túneis dos trens. Passando apressadas como riscos. Como todo mundo, como todas as pessoas. Como um risco. Os sons do salto da minha bota gasta pela calçada. Esse cimento áspero. Áspero e duro e frio e sujo. Mas mais limpo que os meus pensamentos. Os meus pensamentos sujos. A minha roupa preta suja. Os meus cabelos sujos. Os fios dançando contra o vento, descabelados, se enroscando nas palavras sussurradas por essa brisa noturna. Brisa vadia. Essa que se faz doce mas é mais dura que qualquer chão... de cimento.

Chego em casa desolada. Despedaçada. O porteiro, em toda a sua simplicidade solidária, pergunta "tá triste?". Respondo, falsamente, "não, só pensando na vida" e dou um riso tímido, como que tentando esconder o inescondível. O inefável. O etéreo, o que não se pode dizer nem tocar.

Sento para escrever e choro, ao mesmo tempo. Num desespero ritmado, calado, sofrido, escrito, tatuado. Preciso tomar banho, penso. Preciso me limpar, me lavar desse sofrer. Tirar de mim essa sensação. Do meu coração. Sexo sem amor pra mim é quase veneno, disse Petra. E Elena só queria dançar. Dançar e atuar e cantar. Arte! No meio daquela tristeza toda. "Essa não é você", dizem meus amigos. Mas eu sinto mesmo assim.

Vou chorar tudo no chuveiro, como sempre faço. Flutuando nesse mar de sentimentos, emoções e mágoas. As águas dissolvem as dores, ouvi dizer...

Sunday, June 03, 2012

Essas mulheres loucas...

"A vida pode ser mais leve.
Mais lúdica.
Se eu não brincasse, enlouqueceria.
Não posso nem sei ser essa imagem que tanta gente
congelou a respeito do que é ser adulto.
Passo longe desse freezer.
Quero o calor da vida.
Quero o sonho e a realidade melhor que ele puder gerar.
Quero alguma inocência que não seja maculada.
Quero descobrir coisas que não suspeito existirem e
que, para minha surpresa,
têm significado para o meu coração.
Adulta, quero caminhar de mãos dadas,
vida afora, com a criança que me habita:
curiosa, arteira, espontânea."
[Ana Jácomo]

"Gosto de me encaixar na anatomia de abraços sinceros, daqueles que posso medir a temperatura dos corações com esse tal termômetro que as pessoas chamam de afinidade."
[Ju Fuzetto]
 
"Não carrego malas pesadas de mágoas, aprendi a reduzir a bagagem do coração. Sei que a perfeição anda a passos largos de mim, isso não me aborrece, deve ser chato acertar sempre. Tenho sonhos e projetos para o futuro, mas, por enquanto, meu caminho é a estrada do agora."
[Renata Fagundes]

‎''Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.''
[Martha Medeiros]

"E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já tô rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma."
[Tati Bernardi]

"A gente supera a partir do momento
em que decide o que merece."
[Clarissa Corrêa]

Thursday, May 31, 2012

Crise de Pânico

Que dia.

Sabe aquele dia em que tudo resolve acontecer? Acaba a luz no trabalho, você tem que subir 13 andares de escada, pifa o ar condicionado, volta a luz, cai a rede, acaba a bateria do celular, chega um caso urgente às 7 da noite... tudo. E, ao mesmo tempo, nada.

Nada que eu sinto aqui dentro. Nada que me invade, que me afoga. Que pulsa no meu peito sem razão, meio sem direção, sem saber por quê. É uma droga, tudo isso. Sinto e sei que sinto, tenho consciência disso, mas não sei por quem, pelo que, nem de onde veio. Sim, eu tô gostando de você, ou da ideia de você. Mas eu não deveria estar gostando mais de mim? Sei lá, eu tava tão bem, eu sempre fico tão bem, que quando acontece alguma coisa assim eu meio que perco o rumo. Perco o foco, parece que muda a perspectiva. E eu não gosto, não gosto nem um pouco. Fica um gosto amargo na boca.

Deve ser uma crise de pânico, só pode ser uma crise de pânico. Uma síndrome, um ataque, um distúrbio, um transtorno, uma crise. Ou algo que o valha, porque eu tô com um peso no peito e palpitações, parece que tem um elefante sentado em cima do meu peito, uma coisa doida. Que medo! Se infarto é isso, pode chamar a ambulância que de hoje eu não passo. Meu, tem um monte de gente que mora em favela e que pode ser despejada amanhã!!!!! Amanhã. Mulher, criança, velho. Eu fico muito preocupada com esses casos, não consigo não me envolver. "Mas você acha que nesse caso as famílias têm razão?" Não sei, mas, se é pra evitar um mal maior, primeiro a gente evita e depois a gente vê quem tem razão. Isso é justiça, pelo menos pra mim. E elevadores funcionando, também.

Tente relaxar... que tente relaxar que nada, sai fora! Sai fora que aqui o negócio é sério. Ou dá ou desce. Faz ou desocupa a moita. Assustabilidade. Que assustabilidade de merda essa sua. "Você me assusta cada dia mais". Ótimo, ainda bem que eu te assusto. Pior quem não se assusta com mais nada nessa vida. Eu me assusto pacas quando você escreve os seus "preguissa" e "ancioso". Porra! Só de escrever isso já me dá siricutico. Então vai ser assustado em outra freguesia, babaca! "Mas os homens têm medo de relacionamentos que avançam muito rápido". Ah, compra uma tartaruga então, que aí você morre e a coisa continua beeeeem devagarzinha. Quase parando. Quase morta. Quase viva.

Babaca, não perceberia que tirou a sorte grande nem se ela lhe abalroasse a testa no meio dos olhos.

Meu, vou escrever até sangrar hoje... tô jorrando, sério.

(...)

Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você.

Sim, eu dou mais importância pra coração e pra entrega do que pra desafinação.

Monday, March 05, 2012

Trabalho, trabalho, trabalho...

Trabalho, o meu nome é trabalho. E não é nome do meio nem sobrenome, é primeiro nome mesmo. Prenome, aquele que vem antes do nome. Nome próprio. Nome de batismo. Acho que nos últimos tempos me batizaram com esse nome... e eu gostei. Abracei, me envolvi, me deixei levar. E o trabalho se apossou de mim.

Tenho gostado bastante da vida, tenho estado bastante feliz. Não posso reclamar. Finalmente, consegui o que queria. Finalmente, posso dizer que estou plenamente satisfeita. Me sinto uma aprendiz, jovem, crua... mas útil, disposta, comprometida. Não mais subaproveitada, não mais mal-remunerada. Minha energia agora tem intensidade e direção. Direção certa. E o fruto do meu trabalho não é perdido. Pelo menos eu me sinto assim. E isso me deixa imensa e galopantemente feliz. Feliz por estar cada centímetro mais perto da vida que eu queria. Da casa que eu desejo. Das paredes que eu anseio. Dos livros que me atraem. Das viagens que se planejam pra mim. Da espiritualidade que me governa. Dos amores que me roubam os pensamentos. Dos lugares aos quais eu pertenço. Dos sonhos que consomem minhas noites. Dos filhos cuja falta eu já sinto.

Mas, nesse meio-tempo, ainda tenho um tempinho pra você. Só pra você.

Tuesday, January 17, 2012

Vida

Sabe quando você sente que tá tudo acontecendo? "It's all happening", igualzinho no 'Quase Famosos', tintim por tintim. Quando, de um jeito ou de outro, você simplesmente sabe que tá tudo se desenrolando como deveria estar? Que você tá onde devia estar. Coragem é tudo nessa vida. Quando você pressente que as coisas tão finalmente se encaminhando? Nossa, finalmente! Quando você se sente no meio do olho do furacão - um "furacão" bom - e do movimento? Movimento é vida. Sabe? Quando você percebe que tem um turbilhão de coisas acontecendo à sua volta e que você tá exatamente no lugar certo e na hora certa? Definitivamente, já tava na hora. Quando você se dá conta de que a vida tá seguindo o seu rumo? Quando você tem absoluta certeza de que tem alguém cuidando dos acontecimentos?

Então, eu tô assim.

Monday, January 09, 2012

Sauvage

Deixei de cortar o cabelo. Deixei de pintar as unhas. Deixei a pele ressecar até engrossar. Deixei as unhas crescerem até virarem garras. Deixei o sangue escorrer pelas pernas. Deixei o olhar se apurar. Deixei a penugem crescer. Assim como a coragem. Um sentimento visceral. Mais do que nunca, visceral. Só o que é autêntico e essencial me interessa. Primordial, no mais rude sentido da palavra. De primórdios, mesmo, de origem, de alguma coisa muito antiga e natural. Selvagem. Estrutural. Tô me sentindo gerada, nutrida. Sugando a seiva da vida. Louca pra sugar mais e mais. Pra me alimentar desse mel que me fortalece e me enrudece de dureza e de intensidade. Instinto de sobrevivência, será? Um crescimento quase que forçado, violentado, imposto. Mas necessário.

Tô me sentindo sozinha numa floresta, entre as árvores, olhando o perigo de frente. Descalça. De noite. Nua. Sem ter pra onde fugir. Correndo com os lobos, literalmente.

Tô me sentindo vazia. Um vazio bom.

... dans cette sécheresse et dans cette férocité, une sorte d'énergie animale, un peu sauvage, permet émerger et répandrer de se hisser hors des sentiers de les montagnes de l'âme à laquelle tout semblait le prédestiner.

Friday, December 30, 2011

Quando se chega à bifurcação...

Aceitar que certas coisas, épocas e pessoas não vão mais voltar. Entender que o tempo está passando e, uma hora ou outra, pode ser tarde demais. Confiar que tem algo bom me esperando lá na frente. Compreender a magia do mundo, que ele sempre encontra o seu próprio jeito de um dia fazer sentido. Abrir os meus caminhos por mim mesma, sem receita, sem molde, sem manual. As coisas não precisam necessariamente sair do jeitinho que a gente imaginou pra darem certo. Acalmar o meu coração pras surpresas que estão por vir. E consolá-lo pras eventuais frustrações. Caminhar pelas minhas próprias pernas. Doar sangue. Escolher os destinos das futuras viagens e planejar os recursos. Viver com mais alegria. Produzir. Não importa o que, mas a arte está em produzir. Cuidar do meu corpo, mas, mais importante, das minhas idéias. Ler. Conseguir enxergar cada vez mais a beleza do mundo. Admitir os meus erros e tentar consertá-los. A gente só consegue alguma coisa quando admite o que é. Estudar. Aprender, que eu considero mais importante ainda do que estudar. Dançar mais. Crer, porque as realizações só vêm pra quem crê. Sonhar, sempre, sonhar.

Decidir. Tomar um rumo, qualquer que seja. Decidir. Seguir numa direção sem olhar pra trás. Decidir. Sair correndo por um caminho sem pestanejar. Decidir...

Wednesday, December 28, 2011

La Loba

À noite, enquanto a cidade sonhava... no céu a luz de uma estrela brilhava. Acho essa música linda de tudo, sempre me emociona, sempre.

Chega o fim do ano e essa minha melancolia-hóspede vem me visitar e bate mais uma vez à porta. É engraçado, mas acho que não seria eu se assim não fosse. Definitivamente, não seria.

Porque, mais do que cíclico, mais do que instintivo, me atrevo a dizer que até mais do que feminino, é canceriânico mesmo, esse lance de andar pra frente, parar, recuar, andar pra trás um pouquinho, para conseguir voltar a andar pra frente. Coisa de caranguejo. Ir tateando, sentindo, experimentando. É a essência do natural, do instintivo, do feminino. Pedindo para sair, para se manifestar, para se mostrar. Mais do que pedindo, ordenando, ansiando, conquistando, tomando conta, rasgando tudo. Preciso desesperadamente dessa limpeza, dessa reciclagem, dessa troca de pele. O que antes era apenas uma leve penugem começa a engrossar, a virar um pêlo grosso e forte. As patas antes cambaleantes começam a se calcar melhor no chão, com mais firmeza. As orelhas antes tímidas e baixas começam a procurar mais decididas o som. Os olhos antes hesitantes passam a encarar o perigo de frente e sem medo. O rabo antes acanhado e encolhido toma a forma de um instrumento, conferindo vigor e robustez. Maturação. Amadurecimento. Consciência. Força. Poder. Instinto. A Mulher Selvagem, assim mesmo, tudo em maiúsculo...

Daqui pra frente, só Deus sabe. Não posso mudar o ponteiro das horas. Mas posso mudar o hoje, o agora e o ponteiro dos segundos.

“Winter is coming...”.
[Game of Thrones, magnífica.]

Sunday, December 04, 2011

Crimes e penas

Nunca duvidei, nunca. Acredito demais em Deus, tenho uma fé inabalável. Mas, mais do que frequentar igreja e ir à missa, que também acho importante, mas não essencial, acho que o que decide mesmo é a conexão. O amor que a gente tem dentro da gente. A fé mesmo, pura e simples. Precisamos confiar, ter essa ligação. É o que liga a gente ao mundo, o que nos faz acreditar nele e, sem isso, eu sinceramente não saberia viver. Já me irritei, desacreditei, julguei e até maldisse a vida por algumas frustrações... mas hoje não mais. Hoje eu ando pelo mundo sorrindo, não importa o que me aconteça. Sorrio porque estou viva. Sorrio porque posso ver o mundo, porque posso tocá-lo, porque posso senti-lo, porque posso caminhar por ele, porque posso me maravilhar com os acontecimentos dele, porque ainda tenho tanto pra viver nele, porque posso me deixar ser invadida por ele a cada segundo. Encaro tudo como uma bênção, uma surpresa, um bônus. E é mesmo. Se a gente não se entregar, não acreditar, não agradecer inclusive pelas dificuldades, que nos fazem mais fortes, não confiar que tudo faz parte de uma coisa maior, viramos aqueles amargurados que não sabem viver e só passam pela vida, sem deixar nada de bom pro mundo nem pra ninguém.

Mas, mais do que tudo, eu confio. Confio que tudo nessa vida tem um porquê, mesmo que a gente na hora não entenda. Tudo um dia faz sentido. Confio que quem merece sempre alcança, que esse mundo dá voltas e surpreende os mesquinhos e recompensa os generosos, mesmo que demore. Não acredito em "falta de sorte". Acredito em alegria, em generosidade, em altruísmo, em desprendimento. Tudo é ação e reação. Fazer para os outros o que gostaríamos que fizessem por nós, ser para os outros o que gostaríamos que fossem para nós. Mais até do que o que fazemos, mas o que somos.

E, no fim das contas, tudo tem o seu jeito especial e particular de, mesmo no caos, se rearranjar. Isso é justiça. E é só o que eu quero dessa vida.

"Pensamentos viram ações, ações viram hábitos, hábitos viram o caráter e o caráter vira o seu destino." [Aristóteles.]

Thursday, November 24, 2011

Apelações e agravos

Saudade
Saudade, lembrança
Lembrança de tantas memórias
Lembrança do que não foi, do que não veio
Do que veio e se foi
Alguns nãos, tantos sins...

O dito pelo não dito,
Os silêncios eloquentes
A comunicação não falada,
Mas sentida,
Arrepiada

Ah, taaaaantos, mas tantos sins...

Distâncias que separam
E que parecem aproximar cada vez mais
Talvez a resposta seja esta:
Distância física para proximidade espiritual

Você chegou aqui primeiro
E eu sempre, sempre, atrasada
Fico correndo atrás do tempo
Como se tivesse alguma chance
De algum dia alcançá-lo

Perdida na ilusão, eu corro
Corra, Lola, corra
Como num desenho animado
De calça cinza, blusa verde
E cabelo vermelho

E os meus diários me vão caindo dos bolsos
Papéis voando, voando, voando...
Como se fugissem de mim,
Como se não mais meus fossem
Assim como a minha história

E você aí, destinatário anônimo
Das cartas que eu nunca enviei
Guardadas na minha memória
Será que algum dia enviarei?

Ah, como eu odeio apelação!
Só não odeio mais do que agravo.