Saudade
Saudade, lembrança
Lembrança de tantas memórias
Lembrança do que não foi, do que não veio
Do que veio e se foi
Alguns nãos, tantos sins...
O dito pelo não dito,
Os silêncios eloquentes
A comunicação não falada,
Mas sentida,
Arrepiada
Ah, taaaaantos, mas tantos sins...
Distâncias que separam
E que parecem aproximar cada vez mais
Talvez a resposta seja esta:
Distância física para proximidade espiritual
Você chegou aqui primeiro
E eu sempre, sempre, atrasada
Fico correndo atrás do tempo
Como se tivesse alguma chance
De algum dia alcançá-lo
Perdida na ilusão, eu corro
Corra, Lola, corra
Como num desenho animado
De calça cinza, blusa verde
E cabelo vermelho
E os meus diários me vão caindo dos bolsos
Papéis voando, voando, voando...
Como se fugissem de mim,
Como se não mais meus fossem
Assim como a minha história
E você aí, destinatário anônimo
Das cartas que eu nunca enviei
Guardadas na minha memória
Será que algum dia enviarei?
Ah, como eu odeio apelação!
Só não odeio mais do que agravo.
"As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias, pois tudo o que fizermos hoje ficará na memória daqueles que um dia sonharão em ser como nós: loucos, porém felizes." (K. Cobain)
Thursday, November 24, 2011
Thursday, November 17, 2011
Já foi
Sabe quando a gente sente que tá tudo passando rápido demais? O tempo, os acontecimentos, as pessoas, a vida... Então. É porque o momento já passou, já foi, já era.
Thursday, October 27, 2011
Gypsy
"So I'm back, to the velvet underground
Back to the floor, that I love
To a room with some lace and paper flowers
Back to the gypsy that I was
To the gypsy... that I was
And it all comes down to you
Well, you know that it does
And lightning strikes, maybe once, maybe twice
Oh, and it lights up the night
And you see your gypsy
You see your gypsy
To the gypsy that remains faces freedom with a little fear
I have no fear, I have only love
And if I was a child
And the child was enough
Enough for me to love
Enough to love
She is dancing away from me now
She was just a wish
She was just a wish
And a memory is all that is left for you now
You see your gypsy
You see your gypsy
Lightning strikes, maybe once, maybe twice
And it all comes down to you
I still see your bright eyes, bright eyes
I have always loved you
And it all comes down to you..."
[Fleetwood Mac... or even better, Stevie Nicks!]
Monday, October 24, 2011
Cidade gata de botas
Tô cansada. Tô vazia. Ando por aí topando nas emoções, nas coisas e nas pessoas, à espera de algo a me preencher. Eu sou um vácuo. Um útero. Cheio de todos os recursos necessários mas sem vida pra gerar. Subumano, subutilizado, underrated. Suburbano, no meio dessa cidade sadicamente apaixonante. Os perfumes se misturam com os odores, a beleza com a feiúra, a serenidade com o caos, as calçadas modernas perfeitamente calculadas com as sarjetas, as árvores com o trânsito, os pés com os pneus, os cabelos milimetricamente asseados com as barbas mal-aparadas, os transeuntes com os carros, os ternos com as calças rasgadas, a solidão com as multidões. Tudo no mesmo balaio. Um só coração que bate por todos. E ele pulsa, pulsa...
Tô impregnada por São Paulo, é assim que eu me sinto.
Tô impregnada por São Paulo, é assim que eu me sinto.
Monday, October 17, 2011
Sunday, September 25, 2011
Um
Cada dia mais eu vejo que cada um é um. Nada desse negócio de "metade", de "laranja", nada. Nós somos nossos. Cada pessoa é dela e só dela. Como Clarice, que, antes de qualquer coisa, antes de ser mãe, antes de ser esposa, antes de ser escritora, eu ousaria dizer que antes até de ser mulher, era dela. Com quem nós realmente temos que conviver e não podemos fugir é conosco mesmos... e cada experiência, cada passo, cada dia nos permite esse mergulho e esse aprofundamento em nós mesmos que só é possível a nós mesmos. E aí é que está a beleza da vida: eu sou minha, você é seu, mas nada impede que nossos caminhos se cruzem e que nos conheçamos e que nos encantemos singelamente um com o outro. Um com a individualidade do outro. Ah, as pessoas...
"Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que Deus embrulha pra presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel. Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Os milagres existem para quem tem olhos que sabem ver a sabedoria e a ludicidade amorosa próprias do que é divino. Do que transcende. Do que escapole da nossa lógica tantas vezes sem coração. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum."
"Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que Deus embrulha pra presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel. Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Os milagres existem para quem tem olhos que sabem ver a sabedoria e a ludicidade amorosa próprias do que é divino. Do que transcende. Do que escapole da nossa lógica tantas vezes sem coração. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum."
[Ana Jácomo]
Thursday, September 22, 2011
Um encontro
Um contato, um inesperado contato.
Confesso que não esperava muito. Por enquanto.
Algumas linhas mal escritas trocadas. Mas até os tropeços fazem parte do seu charme. Pensamentos e idéias que, mesmo mal traçados, se encontram. Colidem, se fundem, se unem. Você sou eu.
Uma viagem e bad timing.
Uma espera.
De repente, uma voz. Fiquei imaginando o cheiro, o gosto, a pele daquela voz. Não entendi quase nada do que você falou no celular, maldito celular, mas o silêncio e a imaginação me contaram o que eu precisava saber. Alguém que ri das minhas besteiras com uma risada gostosa e se comove com as minhas sentimentalidades com o coração enlevado. Que me deixa esperando deliciosamente numa livraria. Que me apresenta a lugares "para ocasiões especiais". Que procura as minhas mãos com as suas. Que leva um caderninho no bolso. Que pensa "ela vai voltar um dia...". Que me dá revistas de presente, me mostra matérias e imagina se eu vou gostar. E que carrega uma mochila, como eu.
Um homem gentil.
Olhos atentos, tentando não piscar, não perder nenhum detalhe. Olhos de fotógrafo. E coração também.
Expectativas superadas? Não sei, só vou saber quando chegar em casa, beber um copo d'água e deitar na cama.
Eu quero lembrar de tudo, mas não consigo. Tudo foi tanto...
Numa escada rolante de metrô, um grito: "Viva Clarice Lispector!". Uma camiseta não usada, mas sentida. Uma estrela vermelha que tinha que estar ali. Eu sei que ainda está zero a zero. Ela tem uma coisa que é só dela, ela é dela, e de mais ninguém. O prazo de validade dos três meses. Dividindo uma "Bauhaus" e uma "Patrícia" com você. Um farol fechado. Abraços quentes e beijos molhados pelas ruas numa sem-graceza delirante. Uma delicada chuva caindo em gotas. Um casal de opostos. Uniforme e rebeldia. Convencionalidade e liberdade. Futebol e poesia. Bicicleta e magrela.
Pode embrulhar para presente, vou levar.
Confesso que não esperava muito. Por enquanto.
Algumas linhas mal escritas trocadas. Mas até os tropeços fazem parte do seu charme. Pensamentos e idéias que, mesmo mal traçados, se encontram. Colidem, se fundem, se unem. Você sou eu.
Uma viagem e bad timing.
Uma espera.
De repente, uma voz. Fiquei imaginando o cheiro, o gosto, a pele daquela voz. Não entendi quase nada do que você falou no celular, maldito celular, mas o silêncio e a imaginação me contaram o que eu precisava saber. Alguém que ri das minhas besteiras com uma risada gostosa e se comove com as minhas sentimentalidades com o coração enlevado. Que me deixa esperando deliciosamente numa livraria. Que me apresenta a lugares "para ocasiões especiais". Que procura as minhas mãos com as suas. Que leva um caderninho no bolso. Que pensa "ela vai voltar um dia...". Que me dá revistas de presente, me mostra matérias e imagina se eu vou gostar. E que carrega uma mochila, como eu.
Um homem gentil.
Olhos atentos, tentando não piscar, não perder nenhum detalhe. Olhos de fotógrafo. E coração também.
Expectativas superadas? Não sei, só vou saber quando chegar em casa, beber um copo d'água e deitar na cama.
Eu quero lembrar de tudo, mas não consigo. Tudo foi tanto...
Numa escada rolante de metrô, um grito: "Viva Clarice Lispector!". Uma camiseta não usada, mas sentida. Uma estrela vermelha que tinha que estar ali. Eu sei que ainda está zero a zero. Ela tem uma coisa que é só dela, ela é dela, e de mais ninguém. O prazo de validade dos três meses. Dividindo uma "Bauhaus" e uma "Patrícia" com você. Um farol fechado. Abraços quentes e beijos molhados pelas ruas numa sem-graceza delirante. Uma delicada chuva caindo em gotas. Um casal de opostos. Uniforme e rebeldia. Convencionalidade e liberdade. Futebol e poesia. Bicicleta e magrela.
Pode embrulhar para presente, vou levar.
Tuesday, August 23, 2011
Algumas doloridas verdades
Pessoas. Tão amadas, tão detestadas. No geral, eu sou meio anti-social, esse é o meu normal. Odeio qualquer contato por princípio, me envergonho, a sem-graceza toma conta, evito, corro, fujo, atravesso a rua, fecho os olhos, bato os sapatinhos e pago pra não encontrar. Com as pessoas comuns, eu digo, os meros conhecidos. Sim, porque tem aquelas pessoas que... ah, aquelas! Aquelas poucas e boas que salvam o dia, que te botam um sorriso no rosto, que colorem o céu, que fazem tudo valer a pena, mesmo o maior dos suplícios.
E eis que aí, quando menos se espera, vem o facebook, o twitter e toda essa penca de redes sociais que um dia vão dominar o mundo e interferem na nossa consciência, na nossa maneira de agir e de pensar e nos mudam!!!! Não sei, mas de vez em quando, bem de vez em quando mesmo, vem chegando aquela sensação familiar que aos poucos vai ganhando espaço e se fazendo cada vez mais presente... e me dá um surto de autoestima e de amor próprio que eu me sinto na obrigação de manifestar - eu sei, também odeio isso. Nos outros, mais ainda! E não, não quero virar mais uma daquelas chatas internéticas que não podem ficar um singelo minuto sem proliferar aos quatro ventos o que fizeram - de proveitoso ou, na esmagadora maioria das vezes, não - no dia. Enfim, entendo - e concordo! - com a chatice disso tudo. Mil vezes concordo. Mas ah, me desculpa, deixa eu me amar publicamente um pouquinho, deixa eu me mostrar um pouco para o mundo também... eu, que sempre tento e faço de tudo pra me manter o mais discretamente possível longe disso tudo; e esse mundo, que tão lindamente só me encanta e traz pra fora o que há de melhor em mim. E, se a minha felicidade te incomoda, se ela de algum jeito involuntariamente te afeta, só posso lamentar, não é a minha intenção. Mas ainda bem que ainda tem gente que se regozija com ela.
Como dizia a minha avózinha querida: "eu sou de quem me quer".
E eis que aí, quando menos se espera, vem o facebook, o twitter e toda essa penca de redes sociais que um dia vão dominar o mundo e interferem na nossa consciência, na nossa maneira de agir e de pensar e nos mudam!!!! Não sei, mas de vez em quando, bem de vez em quando mesmo, vem chegando aquela sensação familiar que aos poucos vai ganhando espaço e se fazendo cada vez mais presente... e me dá um surto de autoestima e de amor próprio que eu me sinto na obrigação de manifestar - eu sei, também odeio isso. Nos outros, mais ainda! E não, não quero virar mais uma daquelas chatas internéticas que não podem ficar um singelo minuto sem proliferar aos quatro ventos o que fizeram - de proveitoso ou, na esmagadora maioria das vezes, não - no dia. Enfim, entendo - e concordo! - com a chatice disso tudo. Mil vezes concordo. Mas ah, me desculpa, deixa eu me amar publicamente um pouquinho, deixa eu me mostrar um pouco para o mundo também... eu, que sempre tento e faço de tudo pra me manter o mais discretamente possível longe disso tudo; e esse mundo, que tão lindamente só me encanta e traz pra fora o que há de melhor em mim. E, se a minha felicidade te incomoda, se ela de algum jeito involuntariamente te afeta, só posso lamentar, não é a minha intenção. Mas ainda bem que ainda tem gente que se regozija com ela.
Como dizia a minha avózinha querida: "eu sou de quem me quer".
Friday, August 19, 2011
Calor na pele
Em homenagem aos verões, aos sóis, às peles deliciosamente bronzeadas, às mulheres poderosas que se bastam... e aos dias e às tardes em que nada mais importa além da previsão do tempo.
"(...) Posso te garantir que o verão solitário me deixou mais mulher, mais leve e mais bronzeada e que, depois de sofrer muito querendo uma pessoa perfeita e uma vida de cinema, eu só quero ser feliz de um jeito simples. Hoje o céu ficou bem nublado, mas depois abriu o maior sol."
"(...) Posso te garantir que o verão solitário me deixou mais mulher, mais leve e mais bronzeada e que, depois de sofrer muito querendo uma pessoa perfeita e uma vida de cinema, eu só quero ser feliz de um jeito simples. Hoje o céu ficou bem nublado, mas depois abriu o maior sol."
[Tati Bernardi, sempre ela.]
Friday, August 12, 2011
Coisa linda
"Almost blue
Almost doing things we used to do
There's a girl here and she's almost you
Almost all the things that you promised with your eyes
I see in hers too
Now your eyes are red from crying
Almost blue
Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be
Almost blue
Almost touching it will almost do
There's a part of me that's always true... always
Almost doing things we used to do
There's a girl here and she's almost you
Almost all the things that you promised with your eyes
I see in hers too
Now your eyes are red from crying
Almost blue
Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be
Almost blue
Almost touching it will almost do
There's a part of me that's always true... always
All the things that you promised with your eyes
I see in hers too
Now your eyes are red from crying
Almost you... almost me... almost blue."
I see in hers too
Now your eyes are red from crying
Almost you... almost me... almost blue."
[Chet Baker, tem que ser com Chet Baker!]
Nada é mais feromonicamente arrepiante ou arrebatadoramente romântico do que essa música tocando, meu Deus do céu. Nada.
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